A fachada verde-limão chama atenção de quem passa. Desde 2005, numa das esquina do Horto, o Da Graça é parada obrigatória pra estômagos e olhos gulosos. De frente para o Jardim Botânico, a casa tombada do século passado guarda surpresas. É toda forrada de papel de presente, com vários pisca-piscas espalhados por pratelheiras repletas de santinhos, bonecos, imagens hindús e várias miudezas engraçadinhas, que dão um tom encantador (e acolhedor) ao lugar.
Lourdes Brandão e Graça Tanaka resolveram improvisar e abusar da criatividade: as cadeiras e mesas foram reaproveitadas do antigo inquilino e ganharam apenas uma demão de tinta dourada e estofamento rosa, assim como o balcão e as grades externas. Luminárias de papel crepom pendem do teto, cortinas de contas, que foram feitas com o auxílio da criançada das redondezas, estão por todos os lados.
Os banheiros têm flores de celofane, páginas de mangás e tábua dourada. Nem o poste da rua escapa: forrado de santinhos, já foi até Padre benzer. Em meio a ess mix kitsch-chique-moderninho, são servidos vários pratos apetitosos, comidinhas de dar água na boca. O cardápio é bem exótico e variado, com delícias e especiarias do Brasil, da culinária japonesa, italiana e árabe. Um dos sucessos desse gracioso reduto é o bobó de camarão servido no coco verde, que é uma excelente pedida depois de se provar os imperdíveis bolinhos Ana Maria (de aipim com ovas de salmão) ou os de arroz arbório com ervas frescas e queijo. Tem também as famosas pizzas de tapioca, salgadas e doces, a saladinha de alfaces crespa, lisa e roxa, tomate e ervas frescas, servida numa gostosa cesta de parmesão e o sorvete de gengibre, com calda quente de goiabada cascão, pra fechar com chave de ouro.
Tudo pode ser apreciado numa mesinha da calçada, com vista para o Cristo Redentor.